Cotidiano urbano
entre olhares fugidios e selvagens paira tenue alguma contemplação uma réstia de brilho
carros e pessoas movem-se apressados desavisados de si mesmos - vidas aflitas- acromáticas
desejo estar em sintonia com as rosas poucas rosas que ainda persistem escuto seu cheiro sinto sua voz nas praças acizentadas em jardins de casas pichadas silenciadas pela fuligem dos automóveis pelas cinzas do coração dos homens mórbida canção
o que é terrível se tornou comum anestesiou o choque
o amor na corda bamba lateja em algum sorriso de criança latente nas mãos do poeta
numa onda de mar no assobio de um pássaro repousa discreto sem titubear
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Úrsula Avner |
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Publicado em 28/12/2009 às 23h11